Trilha Cidadã

Cantemos a dor sabendo o tamanho dela! Por Pe. Hilário Dick

Posted on: 16/04/2010

Não sejamos cegos nem cegas.

Não sejamos ingênuos nem ingênuas.

Não tenhamos um coração de pedra que não vê nem sente.

A mídia faz a burguesia chorar por causa de uma infeliz Isabela

– que não é só ela –

mas é cega para juventude que o sistema mata, todo dia,

atirando-a pelo buraco do desemprego, da falta de carinho e da diabólica sedução.

Mata.

Põe no jornal e na notícia (que ela faz e fabrica)

que a juventude é aquela que mata, o que é mentira.

Verdade que a juventude também sabe ser violenta;

Violenta, contudo, porque foi criada num ventre despido de amor.

e não porque ela, a juventude, o queira.

Juventude violentada.

Sociedade violenta, fazendo filhos e filhas

para jogá-los/as nas janelas que ela planejou…

CONTUDO, é esta juventude que, no meio da batalha, é capaz de gritar

e ir pra rua dizendo que a “Juventude quer viver”

– o que a sociedade farisaica não tem coragem de fazer.

Uma sociedade que tem coragem de por a alegria e o idealismo na cadeia,

nem querendo saber o que está fazendo.

Para ela, a sociedade velha, a maioridade penal tem que ser de 15 anos

porque não se ama a si mesma.

Precisamos começar a gostar de nós mesmos, a partir de nós.

Quem não ama a juventude, não gosta de si.

E não digam que não estão vendo que a maioria dos desempregados é jovem.

Mas ficam chorando e celebrando, sarcasticamente, a Isabela, bonitinha…

E as outras milhares de Isabelas que não tem TV,

não tem notícia, não tem quem fale?

Aliás, salvam as crianças, aquelas que não atiram pela janela,

mas não salvam as que vão ser mortas mais adiante, como jovens,

atirados/as pela porta do desemprego e pela sarjeta do desamor…

Até são capazes de dizer que “Juventude quer viver” significa fazer sacanagem,

Não fazer nada, fumar maconha, buscar o crack…

andar de skate… não ter respeito pelo corpo bonito que são.

Esta sociedade, sem se dar conta, está mofando.

“Juventude quer viver” significa tirar o mofo da sociedade e da juventude

que não querem ver sendo mortas/os, especialmente, sarcasticamente,

os jovens negros e as mulheres negras,

os/as vítimas preferidas de quem não sabe o que é amar.

Basta ser de salário de periferia, para não ter emprego…

Basta ser menina pedindo trabalho para ganhar menos

e ser cantada para ficar quieta…

Basta de juventude sendo morta!

Maldito qualquer extermínio!

Mais maldito, contudo, quem extermina a novidade do mundo

que todos sabem que se chama juventude.

Pe. Hilário Dick

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